19/12
Barcelona - Lisbon

Fuga de (e ao) Natal – Parte 4 – Barcelona

Nova tinta, e de volta às bolas cinzentas; mas agora em pele.


14/12 Praha - Barcelona

Fuga de (e ao) Natal – Parte 3 – Praga


Tenho que ler Kafka, e tentar compreender a p(P)raga que foi ter vivido ali.

É como se tivesse chegado a um novo clássico, agora pujante e sinergético com Roma e Paris, de volta do serpenteado de Moldava. De torre em torre, agora ente, agora or das colinas onde a História determinou, há caminhos reais da muita estória que passou.

(Vejo neve sobre Zürich)

De David ao argiloso Golem de gengibre, do castelo de partida ao de chegada, da fruta grogue ao porco boémio, fere o sol no chão seco que o verde há-de dar.

Vejo fortuna na cidade: para o habitante, o néon; para o viajante, o que é bom. Mas basta de alegorias, pois quero manter o tom, neste frio que faz estrias.

Como se não bastasse, o monumento é, também, humano. A raça apurada, uma boa educação (pelo mais novo Venceslau), basta uma rua plana e atirar o anzol: é sempre a velha pescaria que nos leva aos postos de um país.

Aqui, meio litro justifica-se. Cedo se encontra um agasalho de madeira, parisiense ou italiano, onde se pode fazer tudo, na bela companhia da carta do turista, sem exageros por demais.

(Agora, os Alpes. Janeiro e Fevereiro devem ser mais generosos)



11/12 Genève Praha

Fuga de (e ao) Natal – Parte 2 – Genève, Bern e Luzern

Depois de Genève, Bern e Luzern, agora Praga.

Deixo um branco para, possivelmente, encontrar outro. Por cá, já nevou nas montanhas que circundam a cidade. Já falta pouco para a invadir.

Esta, simpática, agora jovial e concorrida, parece-me pequena: nos horários, nos chocolates, nas atracções, mas, mesmo assim, simpática. Das gentes, pouco lhes sei, mas basta atentar nas suas estradas: prioridade ao comunitário e o respeito pelas regras. Dentro e fora de casa. São a parte francesa de uma neutralidade de contrastes, tal como o mau feitio.

Bern e Luzern são cidades mais germânicas, mais escuras, mais “cidades de montanha”. Recordo que, em Bern, havia muito simbolismo um pouco por toda a cidade: animais de cores imperiais até ao relógio dos astros. Luzern tinha mais encanto: tal como Genève (separada por um rio), as pontes unem as margens, e uma delas servia de passagem para Bern (datada do século XIII). Para cima, alistam-se pequenos castelos e altas residências. Para quem tem tranças, é um bom lugar.

De comum a todas, o frio, simpatia, festividades e vinho quente por toda a parte. Esperava só encontrá-lo em Praga, e eis que se prostra, diante mim e já cozinhado, este aconchego portátil de alma e coração. Quero mais.



08/12 Lisboa - Genève

Fuga de (e ao) Natal – Parte 1 – a caminho de Genebra

A caminho de Genève.

O atraso traz chuva até entrar. Depois, o costume: a coreografia de salvamento, o fechar das gavetas, o ajustar das cadeiras. Uma nota antes de partirmos: imagino todos os passageiros a imitar as hospedeiras na explicação da nossa “salvação”, como papoilas (quase) saltitantes neste gospel aeronáutico. Tragam-me música, e logo vos direi. Outra nota: as hospedeiras não são modelitos, e há lugar à antiga “fermosura”.

Ao fugirmos para o céu numa cavalgada “cimentar”, reparo na janela: algo foge. Torna-se numa visão liquefeita da planície no pássaro dos homens.

- Para onde vais?

- Rumo às asas do algodão sujo que me encobre, empacotado em (in) finitas bolas cinzentas no relevo do plástico que não me protegem, antes hipnotizam. Aí, já ganharam. Mas estes nós aceitaram juntar-se a nós, para nós criarmos um fio de nós, sem lugar marcado ou direito reservado, juntos na senda gloriosa da ave das “esferas”, levados pelo guia sem líder em tons de vitamina C, fácil e engenheira, até ao fim levantar, em esforço e sofreguidão, desenhado para não roçar, e dar, e dar, D’AR, DAAAAAAR!

Nos assentos que levitam, alguma paz. Em baixo, tudo tão alinhado… As luzes, equidistantes, sombreiam as ruas molhadas, e tudo fica suave. Não é mais um brilho definido, são auras reflectidas do conforto dos homens, mesmo junto a um enorme vazio negro vindo da Hispânia. Ali, nada, só visível pela fronteira de luzes que a delimita. Um passo em falso, e pé molhado.




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